Diagnóstico de conversão · Geguton
A atenção chega.
Na hora de comprar, bate num muro.
A Geguton tem 30 anos de fábrica, catálogo bonito e presença forte nas redes. O problema não é atrair gente — é o que acontece quando essa gente decide comprar. Este documento mostra onde o dinheiro vaza entre "gostei disso" e "fechei o pedido".
Site: geguton.com.br
Modelo: presentes/decoração · varejo + atacado (lojista)
Leitura: ~2 min
O diagnóstico em 30 segundos
✓ Funciona
- Marca de 1993, história de família, fábrica própria em Cachoeira do Sul (RS).
- Distribuição de peso: presente em +3.000 lojas e redes como Tok&Stok, Leroy Merlin, Kalunga, Imaginarium e Camicado.
- Catálogo amplo e bonito, com fotos de produto de qualidade.
- Presença ativa: Instagram, TikTok, YouTube, Pinterest e blog próprio.
- WhatsApp clicável, CNPJ e endereço reais no site.
✕ Vaza
- Não dá pra ver preço. Nenhum produto mostra valor sem login.
- Todo botão "Comprar" leva pra uma tela de login — o cliente é barrado antes de comprar.
- Consumidor e lojista caem no mesmo muro, sem saber qual caminho é o deles.
- A "Área do Lojista" é só uma caixa de senha: não explica nada do atacado.
- A credibilidade que fecharia venda está escondida numa página interna.
→ Fazer
- Dar um motivo antes do muro: quem é a Geguton e por que confiar, logo na entrada.
- Separar os dois caminhos: "comprar presente" e "sou lojista / quero revender".
- Pro varejo: mostrar preço ou permitir pedido pelo WhatsApp sem cadastro obrigatório.
- Transformar a Área do Lojista numa página que vende o atacado (condições + prova das 3.000 lojas).
- Trazer a reputação da marca pra home.
A Geguton não tem um problema de atenção — tem um problema de ponte quebrada. O trânsito chega (redes, catálogo, marca conhecida no varejo físico), mas a passagem entre "quero esse produto" e "virei um pedido" está fechada.
São dois públicos diferentes compartilhando a mesma porta: o consumidor final, que quer comprar um presente, e o lojista, que quer revender no atacado. Hoje os dois esbarram no mesmo login, sem preço, sem explicação e sem escolha de caminho. O consumidor desiste porque não consegue nem ver quanto custa; o lojista some porque nada na tela mostra por que vale a pena abrir uma conta.
A boa notícia: quase tudo que falta a Geguton já tem — só está no lugar errado ou trancado. É conserto de percurso, não reconstrução.
Achados por severidade
Onde o dinheiro vaza
Cada achado vem com a evidência encontrada no site, por que custa venda e a direção do conserto.
Crítico
Afeta: B2C + B2B
01
Ninguém consegue ver preço nem comprar sem fazer login
O problema, em portuguêsEm qualquer página — home, coleção, até na ficha do produto — o botão "Comprar" não coloca o item no carrinho: ele joga o visitante numa tela de login/cadastro. E em nenhum lugar do site aparece o preço de nada.
EvidênciaTodos os botões apontam para /cliente/entrar?redirect=/produto/…. A busca por valores (R$) nas páginas de produto retornou zero preços visíveis. O login pede "Email ou CNPJ", ou seja, foi desenhado para lojista — mas é a única porta que existe pra todo mundo.
Por que custa vendaUm presente é compra por impulso e emoção. Quem chega pelo Instagram ou pelo Google, gosta de uma caneca e clica em "Comprar" espera preço e carrinho — não um formulário de senha. Esse visitante não cria conta: ele fecha a aba. Na prática, toda a intenção de compra do varejo é perdida no clique mais importante.
Direção do consertoMostrar preço e permitir compra (ou pedido pelo WhatsApp) sem cadastro obrigatório para o consumidor final. O login por CNPJ continua existindo — mas como o caminho do lojista, não como pedágio pra todo mundo.
Crítico
Afeta: B2C + B2B
02
Dois públicos, uma porta só — e nenhuma placa dizendo por onde ir
O problema, em portuguêsO site fala com o consumidor ("sugestões de presentes criativos… compre os seus") mas funciona como um portal de atacado (login por CNPJ, sem preço). Os dois públicos entram pela mesma porta e recebem a mesma tela — sem que nada pergunte "você quer comprar um presente ou revender na sua loja?".
EvidênciaA comunicação e o próprio Google atraem quem procura presente ("presentes criativos", "Sempre Presente"). Já a mecânica interna (login por CNPJ, "Área do Lojista" no topo, nenhum preço) atende revendedor. Não existe nenhum ponto no site que separe os caminhos.
Por que custa vendaCada público precisa de uma coisa diferente: o consumidor quer preço e frete; o lojista quer condição de atacado e pedido mínimo. Servindo os dois na mesma tela genérica, o site frustra os dois — e desperdiça a audiência que a marca já conquista nas redes e no varejo físico.
Direção do consertoUma escolha clara logo na entrada — "Comprar presente" x "Sou lojista / quero revender" — mandando cada um pra uma experiência feita pra ele. Uma marca, dois caminhos, sem confusão.
Crítico
Afeta: B2B (lojista)
03
A "Área do Lojista" é só uma caixa de senha — não vende o atacado
O problema, em portuguêsA página do lojista tem apenas Email/CNPJ + Senha + "quero me cadastrar". Nenhuma palavra sobre condição de atacado, pedido mínimo, prazo, tabela ou vantagens de virar revendedor Geguton. Ao lado, só três palavras soltas: "Design · Criatividade · Qualidade".
EvidênciaO formulário em /cliente/entrar é uma tela de acesso limpa, sem nenhum conteúdo comercial. O caminho "quero me cadastrar" leva a um cadastro às cegas — o lojista se compromete sem saber o que ganha.
Por que custa vendaUm pedido de atacado vale muitas vezes um pedido de varejo. O revendedor que chega interessado precisa de motivos pra criar a conta. Uma caixa de senha vazia não dá motivo nenhum — e ele vai embora pesquisar um concorrente que explica as condições na primeira tela.
Direção do consertoTransformar a área do lojista numa página de venda do atacado: quem pode ser revendedor, como funciona, condições, e a prova pesada (30 anos, +3.000 lojas, presença em grandes redes). O cadastro vira o passo final de quem já foi convencido.
Alto
Afeta: B2C + B2B
04
A melhor prova da Geguton está escondida numa página que ninguém abre
O problema, em portuguêsA história que fecha venda — fundada em 1993 por um engenheiro e uma artista plástica, nome que homenageia as três filhas, +5.000 produtos criados, presente em +3.000 lojas e em redes como Tok&Stok, Leroy Merlin, Kalunga, Imaginarium e Camicado — está toda enterrada no "Quem Somos". A home não mostra nada disso.
EvidênciaEsses dados aparecem só na página /quem-somos (que também tem um bom vídeo da fábrica). Na home, a única prova social é o feed do Instagram, usado como enfeite no rodapé.
Por que custa vendaEstar dentro da Tok&Stok e da Leroy é o tipo de selo que faz um consumidor confiar e um lojista querer revender na hora. Escondido, ele não trabalha a favor de ninguém. É valor de marca parado na prateleira.
Direção do consertoLevar a credibilidade pra frente: logos das redes, "desde 1993", "presente em +3.000 lojas" e a história da família visíveis na home e na entrada do lojista.
Alto
Afeta: B2C + B2B
05
A ficha do produto não responde nada de quem vai comprar
O problema, em portuguêsA página de um produto tem foto boa, descrição e código de referência — mas não tem preço, não tem prazo de entrega, não tem estoque, não tem avaliação de cliente e o único botão ("Comprar") leva pro login. É uma vitrine bonita sem etiqueta e sem vendedor.
EvidênciaNa ficha de exemplo (Organizador de Mesa Minimal), o conteúdo é: galeria de imagens, descrição, "Ref: 10600019" e um "Comprar" que aponta para /cliente/entrar. Nada além disso.
Por que custa vendaA ficha de produto é onde a decisão acontece. Sem preço, prazo e uma opinião de outro cliente, o visitante não tem como decidir — e não existe nem um "chamar no WhatsApp sobre este produto" pra salvar a venda.
Direção do consertoFicha completa: preço (ou botão de WhatsApp com o produto já preenchido), prazo/frete, e espaço pra avaliações e fotos de clientes reais.
Alto
Afeta: B2C
06
A home abre em banners rotativos, sem dizer o que é nem como comprar
O problema, em portuguêsQuem chega cai direto num carrossel de banners de imagem e numa sequência de coleções. Não há uma frase que diga o que a Geguton faz, por que confiar e o que fazer em seguida. A pessoa precisa adivinhar.
EvidênciaO topo da home é um owl-carousel só de imagens (sem texto), seguido de blocos de coleções. O único título real da página é o nome da marca no logo.
Por que custa vendaNos primeiros segundos o visitante decide se fica ou sai. Sem uma promessa clara ("presentes criativos que já estão nas maiores lojas do Brasil", por exemplo) e sem um próximo passo óbvio, boa parte do trânsito que a marca paga pra atrair simplesmente escorre.
Direção do consertoUm topo com promessa em texto + um caminho claro de ação, antes dos banners bonitos. O banner encanta; a frase converte.
Alto
Afeta: B2C + B2B
07
A home é pesada demais — e no celular isso derruba gente
O problema, em portuguêsA página inicial carrega uma quantidade enorme de imagens de uma vez só. No celular — de onde vem a maioria de quem chega pelas redes — isso significa tela branca por vários segundos antes de qualquer coisa aparecer.
EvidênciaA home dispara 118 requisições e transfere cerca de 21 MB, com 412 imagens na mesma página. É muito acima do saudável para um primeiro carregamento.
Por que custa vendaÉ consenso no varejo online que cada segundo a mais de carregamento aumenta a desistência — e o impacto é maior justamente no celular, com internet móvel. Muita gente sai antes mesmo de ver o catálogo.
Direção do consertoEnxugar o peso da home: carregar imagens conforme a pessoa rola, comprimir os arquivos e reduzir o que aparece de cara. Ganho direto de velocidade = menos gente perdida na porta.
Alto
Afeta: B2C
08
O FAQ está vazio e não fala de troca, devolução ou garantia
O problema, em portuguêsA página de Perguntas Frequentes tem os títulos das categorias, mas as respostas estão em branco. E as categorias são sobre coisas internas (Cadastro, Senha, E-mail Marketing, Blog) — não sobre o que o comprador de presente realmente pergunta: troca, devolução, garantia, prazo.
EvidênciaNa página /perguntas-frequentes, os blocos de resposta (Pagamento, Entrega, Pedido…) aparecem sem conteúdo. Não há categoria de "Troca e Devolução".
Por que custa vendaComprar presente pela internet gera dúvida ("e se não gostar? e se chegar quebrado?"). Sem essas respostas à mão, a dúvida vira desistência — e um FAQ vazio ainda passa a sensação de site abandonado.
Direção do consertoFAQ enxuto e preenchido, organizado pelas dúvidas reais de quem compra: prazo, frete, formas de pagamento, troca, devolução e garantia.
Médio
Afeta: B2C + B2B
09
Contato inconsistente entre as páginas
O problema, em portuguêsAparecem dois números de WhatsApp diferentes dependendo da página, o ícone do TikTok no rodapé leva pro YouTube, e o formulário de contato pede telefone e celular separados (atrito à toa).
EvidênciaRodapé usa o WhatsApp (51) 99878-9856; a página Fale Conosco mostra (51) 99779-0258. O link do TikTok aponta para a URL do canal do YouTube.
Por que custa vendaPequenos ruídos somados passam sensação de descuido e fazem o cliente hesitar bem na hora de chamar. Contato é o momento mais quente — tem que ser liso.
Direção do consertoPadronizar um WhatsApp principal, corrigir o link do TikTok e simplificar o formulário (um campo de telefone só).
Médio
Afeta: B2C
10
Os selos de pagamento não são os que o brasileiro procura
O problema, em portuguêsOs ícones de pagamento mostram Western Union, PayPal, Visa e Mastercard — e nenhum Pix nem boleto, que são as formas que o consumidor brasileiro mais usa e procura antes de confiar.
EvidênciaNo rodapé aparecem os ícones western_union · paypal · visa · master_card. Pix e boleto não estão sinalizados em lugar nenhum.
Por que custa vendaVer "Pix" e "boleto" é um gatilho de confiança forte no Brasil. A ausência deles (e a presença de selos incomuns) gera dúvida sobre se o site é atual e seguro pra comprar.
Direção do consertoExibir Pix e boleto com destaque (se aceitos) e revisar os selos para o que faz sentido no mercado brasileiro hoje.
Médio
Afeta: B2C + B2B
11
Sinais de site parado no tempo
O problema, em portuguêsDetalhes pequenos que, juntos, passam "isso aqui não é cuidado": o rodapé marca © 2020, o endereço da empresa só aparece no Fale Conosco (não no rodapé), e o site bloqueia o zoom com dois dedos no celular — atrapalha quem quer ver o detalhe do produto.
EvidênciaCopyright fixo em "2020" em todas as páginas; a configuração da página trava o zoom (user-scalable=no); a maioria das imagens está sem descrição (afeta acessibilidade e o Google).
Por que custa vendaData velha e zoom travado corroem a confiança e a experiência sem o cliente saber explicar por quê — ele só "sente" que o site é antigo e compra em outro lugar.
Direção do consertoAtualizar o ano, repetir endereço/CNPJ no rodapé, liberar o zoom no celular e descrever as imagens. Rápido de fazer, efeito imediato de credibilidade.
O site já tem quase tudo. Está tudo no lugar errado.
A Geguton não precisa de mais atenção — ela já é uma marca de fábrica, com 30 anos e distribuição de peso. Precisa de uma ponte entre a atenção que já chega e o pedido que hoje não se completa: preço visível, dois caminhos claros e a credibilidade na frente.
O próximo passo é uma conversa curta pra decidir quais desses ajustes trazem retorno mais rápido e como colocar em prática. Um único pedido de atacado recuperado por mês já paga um projeto desses — e ele hoje está sendo barrado na tela de login.
Alessandro Flores · Obralivre
alessandro.flores@obralivre.com.br · WhatsApp (51) 99840-4606